Relatório Nacional da Diabetes 2025 alerta para incidência elevada e destaca resposta integrada

17 de Novembro de 2025

O Relatório do Programa Nacional para a Diabetes — Desafios e Estratégias 2025 foi apresentado na passada quarta-feira, dia 12 de novembro, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Neste encontro que juntou clínicos, investigadores, gestores de saúde e representantes de várias instituições e iniciativas, entre elas a FRAD — Frente Rotária Anti-Diabetes, o ambiente foi de balanço, mas também de alerta.

Segundo os dados revelados pela Direção-Geral da Saúde, em 2024 foram identificados 80 915 novos casos de diabetes em Portugal. O número continua elevado e mantém o país entre os que registam maior incidência na Europa. Ainda assim, o relatório assinala melhorias no controlo da doença e uma redução da mortalidade associada, uma tendência que os especialistas querem ver consolidada nos próximos anos. Ao todo, mais de 935 mil pessoas vivem com diagnóstico de diabetes, a maioria com diabetes tipo 2, que continua a representar mais de 90% dos casos.

A sessão de abertura deu o tom para uma manhã marcada por debates sobre sustentabilidade das abordagens não farmacológicas e sobre a necessidade de reforçar a criação de valor em saúde. Um dos momentos centrais foi a Tomada de Posse das Equipas de Coordenação Local do Programa Nacional para a Diabetes (ECL-PND). Estas equipas, que passam agora a trabalhar em todas as Unidades Locais de Saúde, terão como missão aproximar cuidados primários, hospitais e comunidade, uma articulação que o relatório considera decisiva para melhorar resultados.

Entre os participantes marcaram presença representantes do movimento rotário: Sónia do Vale, Diretora do Programa Nacional para a Diabetes, e Paulo Taveira de Sousa, Governador 2024/2025 do Distrito Rotário 1960, ambos do Rotary Club de Lisboa Estrela. O Rotary Club de Lisboa Benfica esteve representado por José Carlos Rosmaninho, responsável pelos projetos humanitários do Distrito 1960.

Sónia Vale
Sónia do Vale, do Rotary Club de Lisboa Estrela e Diretora do Programa Nacional para a Diabetes.

Ao longo da apresentação, várias entidades da comunidade foram citadas no âmbito do trabalho que têm vindo a desenvolver na prevenção da doença. Entre elas encontra-se a Frente Rotária Anti-Diabetes (FRAD), que tem promovido ações de rastreio e cálculo de risco em diferentes regiões do país, além de iniciativas de literacia em saúde dirigidas ao público em geral.

O Relatório do Programa Nacional para a Diabetes — Desafios e Estratégias 2025 foi apresentado esta quarta-feira na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, num encontro que juntou clínicos, investigadores, gestores de saúde e representantes de várias instituições e iniciativas, entre elas a FRAD — Frente Rotária Anti-Diabetes.

Nesta iniciativa rotária, o trabalho dos clubes centra-se na sensibilização para estilos de vida saudáveis: alimentação equilibrada, atividade física, manutenção de peso adequado e abandono do tabaco. A adoção destas medidas continua a ser a base da prevenção da diabetes tipo 2 e, para quem já tem diagnóstico, um elemento essencial para o controlo da doença. Estas ações têm contado com o envolvimento da ANAFRE — Associação Nacional de Freguesias, do Programa Nacional para a Diabetes e de várias unidades locais de saúde.

A tarde ficou reservada para sessões de trabalho dirigidas às novas Equipas ECL-PND e para o workshop “Agir Localmente, Transformar Globalmente”. O objetivo foi discutir a construção de respostas territoriais que permitam enfrentar, de forma mais próxima e coordenada, um problema de saúde pública que continua entre os maiores desafios do país.

A diabetes em números

80 915 novos casos em 2024

Os dados mais recentes da Direção-Geral da Saúde indicam que, só no último ano, foram identificados quase 81 mil novos diagnósticos de diabetes em Portugal, uma tendência que mantém o país entre os que apresentam maior incidência na Europa.

Mais de 935 mil pessoas vivem com a doença

O número total de pessoas diagnosticadas ultrapassa os 935 mil. A DGS sublinha, no entanto, que o valor real será superior, devido ao grande número de casos ainda não identificados ou em risco elevado.

Diabetes tipo 2 representa mais de 90% dos casos

A forma mais comum continua a ser a diabetes tipo 2, fortemente associada a fatores como excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e idade.